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Terps

Terps é como a comunidade de jogadores de interactive fiction carinhosamente chama aos interpretadores necessários para executar os games.  Sim, todos são interpretados, ainda que venham em um executável único embutido junto com o jogo.

Interpretadores são uma coisa boa:  graças a eles, um mesmo IF roda em várias plataformas, desde um console NetBSD até um iPhone, passando por Windows, Linux e Mac.  Normalmente, interpretadores são vistos com desconfiança porque a performance não é tão boa quanto uma aplicação nativa, mas como não estamos falando de gráficos com sistemas de física e AI, a coisa roda bem mesmo em plataformas com processamento modesto.  Lembremos também que estamos em uma era em que mesmo emuladores de Playstation 2 rodam razoavelmente bem.

Os interactive fiction que postei até agora rodam em um desses interpretadores, um escrito em javascript.  Embora pareça maravilhoso rodar direto pela web, ainda é algo recente e, de forma geral, a performance fica bem aquém da conseguida com um interpretador nativo para sua plataforma — sim, mesmo sendo jogos textuais.  Isso é particularmente evidente em jogos maiores em que é possível notar lag quando há muito texto e a simulação dos ambientes e eventos é mais sofisticada.  Lembre que o jogo está rodando em cima de um interpretador que está sendo executado por um interpretador/compilador javascript rodando no seu navegador.  Tem um bocado de camadas de APIs com chamadas sem fim aí… 🙂

Embora sejam chamados interpretadores, são na verdade virtual machines.  Isso começou na época áurea, quando computadores eram pequenos e limitados e era mais interessante ter uma máquina especializada em executar jogos desse tipo do que compilar o jogo para cada plataforma (naquela época não havia IBM PC e Windows em 90% do mercado).  Não era mera questão de portabilidade, ter uma máquina específica também significava economia de espaço, já que é uma simplificação de uma máquina real específica para aquilo.  O preço era um pouco mais de processamento na hora de executar, mas era mais barato do que espaço. 🙂

Uma das primeiras portanto a usar uma VM foi a Infocom, com sua z-machine que rodava jogos z-code e estava disponível para a nascente indústria, desde o IBM-PC, passando pelo Apple ][ e Commodore 64 dentre outros.  Em anos posteriores à queda da Infocom, a z-machine recebeu diversos esforços de engenharia reversa e efetivamente voltou à vida, assim como seus jogos.  Mais importante:  a especificação aberta agora possibilitava a criação de compiladores para o formato e assim surgiu a ferramenta de autoria Inform por Graham Nelson, e um impulso renovado na criação de novos interactive fictions se deu a partir do início da década de 90.

Inform e a z-machine não são as únicas ferramentas de autoria e interpretação, porém.  Nos anos anteriores à tal engenharia reversa, várias ferramentas surgiram, a mais poderosa sendo TADS a Text Adventure Development System de Mike Roberts, principal concorrente de Inform ainda hoje.  Fora esses, encontramos ainda o HUGO de Kent Tessman e Adrift, fora ferramentas ultrapassadas como AGT.

O fato então é que há um bocado de formatos por aí e geralmente cada um deles requer um intepretador.  Parchment, aquele online usado para os IF que tenho postado até agora, só roda z-code por exemplo.  Não tenho conhecimento de terps javascript para TADS e os outros até o momento, mas já estão sendo criados para Glulx, que é uma das VMs mais modernas e sofisticadas recentes, para a qual Inform dá a opção de compilar.

Enfim, se quiser jogar IF feito para outras plataformas que não z-code, não vai poder contar com jogo online.  Disponho aqui uma breve seleção portanto de alguns dos interpretadores mais comuns, já que eventualmente vou dar dicas de IFs para esses.  Felizmente, a maior parte dos interpretadores hoje é integrada a alguns poucos bons front-ends, sendo eles:

Gargoyle, para Linux e Windows

Spatterlight, para Mac

Zoom, para Mac e Unix

Eu pessoalmente uso Gargoyle, no Linux.  Ele é um projeto open-source e vem integrado a interpretadores backend para virtualmente todos os formatos existentes.  Todos suportam z-code, Glulx, TADS e HUGO — os mais comuns.

De qualquer forma, se for usar Gargoyle em Linux talvez precise compilar, pois eles só tem de executável um pacote debian i386.  Nesse caso, o projeto usa um excelente build system chamado jam.  Se ainda não tiver instalado, baixe-o com seu gerenciador de pacotes e também libgtk2.0-dev e talvez opcionalmente os pacotes de SDL se quiser (alguns IF usam elementos multimídia).  Depois, basta digitar “jam -a” no diretório do garglk.

Os links para os terps estarão fixos na seção Terps.

Bem, o que está esperando?  De posse de um desses terps, basta correr para o IFarchive e baixar todos os IF que quiser!  Ou esperar que eu escreva a respeito dos melhores… 🙂

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Categorias:Didático
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