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Gameplay Casual

Recentemente foram apurados os resultados da sétima Casual Gameplay Design Competition patrocinada pelo website JayIsGames, um dos mais populares especializados em games casuais.  Sim, triste é dizê-lo, há uma imprensa especializada em games casuais, completo com análises, comentários, flames etc.

Mas enfim, por que isso seria digno de nota neste blog?  Se você clicou no link, você sabe o porquê:  CGDC #7 foi no gênero interactive fiction.  Com direito a premiação em dinheiro e tudo (mil doletas para o primeiro lugar).

O tema foi Escape, um tema bastante batido no amplo cenário de jogos casuais.  Felizmente, graças à narrativa e prosa ricas do gênero, os top games da competição puseram transcender em grande estilo o simples formato esperado de um bonequinho tentando achar uma chave para fugir do quarto atual.

Pessoalmente, eu sou contra tentar vender a idéia de interactive fiction para o público casual.  Acho que são pessoas querendo uma diversão rápida e rasteira no horário do lanche no trabalho ou simplesmente querendo brincar um pouco com algum novo brinquedinho e depois encostar.  Não creio que ler uma narrativa, se esforçar para imaginar os cenários e eventos ou manipular aquele mundo digitando comandos case muito bem com as expectativas de diversão rasteira dessas pessoas.  Mas os jogos estão disponíveis de graça e acho que para alguns isso justifica sua inclusão em meio a centenas de jogos em flash multicoloridos com bonequinhos sorridentes e desafio nulo.

A bem da verdade, muito da produção atual de IF se situa em um terreno meio hardcore, meio casual:  os jogos são relativamente curtos, geralmente sendo possível terminá-los em menos de 2 horas.  Por outro lado, essas duas horas não levam em conta o quanto é gasto em empenho e tentativas antes de conseguir se situar no contexto da história e resolver suas charadas e quebra-cabeças.  Um jogador tipicamente vai encontrar vários finais menos felizes antes de recomeçar e chegar ao verdadeiro final.  Ainda assim, a casualidade da coisa transparece:  apesar da dificuldade, com o que se aprendeu até então você pode recomeçar e rapidamente chegar ao ponto em que estava e tentar algumas coisas diferentes, ou simplesmente recomeçar a partir de um SAVE.  Você joga um pouco e outra hora pode recomeçar sem ressentimentos.  Como os jogos são relativamente curtos, ter o contexto todo na cabeça não demanda o mesmo grau de comprometimento de jogos de aventura comerciais.

Assim sendo, embora não esteja totalmente de acordo, achei louvável a iniciativa do site.  Definitivamente trouxe novo público e autores para o gênero, como pode ser visto pelos numerosos comentários em análises de IF.

Então, sem mais delongas, vou listar aqui apenas os vencedores, vocês podem jogar as outras entradas pelo link lá em cima.  E embora a competição tenha atraído um número substancial de autores novatos, muitos dos autores são figuras conhecidas do meio.  Dificilmente algum novato sem muita experiência com as ferramentas de autoria conseguiria de primeira.  E, de fato, a maioria das entradas por novatos revela não apenas implementações bugadas como também uma terrível sub-utilização da mídia.

O primeiro lugar, Hoosegow, uma fuga de uma prisão no velho oeste, foi para 2 autores relativamente recém-chegados:  Jack Welch escreveu e Ben Collins-Sussman programou.  Uma bela parceria que rendeu previamente outra boa surpresa em uma competição anterior.  Curiosidade:  Ben trabalha no Google e é um dos autores originais do software Subversion.

Stephen Granade é um dos rostos conhecidos que entraram na competição e papou o segundo lugar com Fragile Shells, um sci-fi.  Parece bastante promissor.

Andrew Plotkin ganhou terceiro lugar com Dual Transform.  Como já é uma figura conhecida e reconhecida, usou mais uma vez um pseudônimo para tentar uma nota justa.  Meio difícil, seu estilo de prosa já é famoso e seus IFs tem um forte componente surreal e poético facilmente identificável.  Em todo caso, a votação foi na maioria pelo público do JayIsGames que não é de todo familiar com as obras e os autores.

As outras entradas no top ten também parecem bastante promissoras.

Ainda não joguei nenhum desses, por isso os resumos sem grandes detalhes — estou tão no escuro quanto vocês.  Tentei algumas entradas antes da apuração dos votos e dei o azar de só pegar deploráveis games de iniciantes.  Agora que terminou e já indicaram os melhores, vou jogar com mais calma.  Espero que façam o mesmo. 😉

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