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Lots of Rain

Muitos jogadores desconhecedores do cenário interactive fiction atual tem a tendência de só lembrar deles como sendo os velhos text-adventures simplistas que se jogavam nos dias pré-VGA.  Por isso, muitos tendem a usar o gênero como uma espécie de paródia grotesca de jogos atuais, como Lots of Rain tenta ser para o recém-lançado Heavy Rain.

Aqui comento sobre algumas dessas paródias de games famosos que já apareceram por aí.

Vou separar as paródias em boas e ruins.  Começando pelas boas!

Champion of Guitars foi uma das melhores.  Escrita por Bill Meltsner em 2009 ou 2008, é uma óbvia paródia à Guitar Hero e similares.  Como jogo, claro, não vale nada.  Como paródia, é sensacional!  Mas não pelo efeito normalmente esperado de tais paródias:  mostrar como tais jogos se dariam nas priscas eras e todos os gamers poderem dar uma risada e se vangloriar de viver em uma era de imenso poder computacional.  Aqui, ao invés de debochar do gênero, o autor debocha do gênero de jogos musicais, onde o gameplay consiste de apertar botões na hora certa em que aparecem na tela.  A maioria não percebeu o deboche e jogou 2 ou 3 turnos e desistiu, rindo da interface textual.  O gameplay consiste de:

A orange circle slides down the screen.

The audience is silent, watching your every move.

>push orange button
You push the orange button.

A blue circle slides down the screen.

>push blue button
You push the blue button.

Então, para poupá-los de passar por essa boçalidade, vou reproduzir o final, para mostrar o quão perfeita é a paródia de jogos musicais:

>push red button
You push the red button.

A green circle slides down the screen.

Your epic success at pressing colored buttons on a fake guitar throws the crowd into hysteric ecstasy; they proceed to storm the stage. Plastic axe held high in victory, you’re lifted from the ground onto the hands of your adoring fans and passed around the audience. The raucous cheering is deafening. So this is what it’s like to be a rock star.

*** You rock ***

Ridículo?  Claro, Guitar Hero e similares são inerentemente ridículos.  Quer desafio de verdade?  Vai aprender a tocar um instrumento de verdade.

Outra boa paródia de que me lembro é uma releitura de Pac-man escrita por Adam Cadre.  Ao invés de uma boçal adaptação fiel do jogo de ação original para uma mídia em turnos, a releitura é interessante.  Mas lembre-se que é só uma paródia.

Há também um razoável fanfic para um sequel de The Legend of Zelda: Ocarina or Time original, feito por um camarada Japonês, Hiyazuki Sakamo.  É mais que mera paródia:  é efetivamente um jogo, não necessariamente bom, mas para os saudosistas… Você vai precisar baixar o zip e rodar o arquivo taf com um terp Adrift.  Gargoyle é um dos terps com suporte a games Adrift.

Bem, agora vamos às paródias ruins, aquela que são não apenas risíveis como também são muito mal implementadas, geralmente usando implementações próprias escritas em alguma linguagem de script ao invés de ferramentas de autoria modernas.  Isso significa parsers extremamente limitados e muita irritação.

Lots of Rain é uma dessas paródias extremamente horrendas.  É um arquivo executável implementando um parser primário e boçal.  Vou reproduzir a primeira telinha:

Lots O’Rain  Another text-based super-masterpeice by Alex Austin
Part 1
Whoa! Six cameras.  Some dude in his underwear on a bed.  Oh that’s you.

>sleep                                                                                                                                                          I don’t know the word “sleep”

>up

You sit up.  Your skin looks weird.  What do you want to do?  (type “up” to get up more)

>examine skin

I don’t know the word “examine skin”

>up
You stand up and walk over to a picture frame.  What do you want to do? (type   “pick up” to pick up the picture frame)

Sugestão de amigo: passem longe, bem longe.  Você não joga, apenas digita o que ele pede, quando pede.

É uma paródia ruim por não apenas ter uma implementação sofrível como também por ser equivocada e sem propósito:  Heavy Rain e IF’s em geral dão muito maior campo de ação ao jogador do que meramente esperar o próximo comando que o autor quer que você digite.  Em particular, há uma simulação real, com objetos e estados por trás do texto.  Essa implementação não tem nada disso, é mero CYOA e tão pueril quanto.

No post, o autor chega a citar Deity of Hostility, uma paródia de GoW.  Nem tentei mas fica aí a dica para os masoquistas de plantão.

Outra paródia grotesca, na qual não fica evidente no entanto se o autor não gostava de IF ou de jogos da Nintendo:  Metroid, precisa de um terp.  Mas antes de baixar e tentar, vou ser um camarada mais uma vez e demonstrar o gameplay:

You see another Metroid(TM).

> shoot metroid

You hit the metroid, killing it!

You see another Metroid(TM).

> shoot metroid

You miss the metroid!

The metroid attacks back!

The metroid misses you!

deprimente e tedioso… o exato inverso de Metroid e interactive fiction! 😀

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  1. 17/03/2010 às 14:53

    O problema das paródias e sátiras de títulos famosos é justamente a qualidade do produto em si: não adianta muito ter uma boa idéia se esta é má executada… 😦

    Isso me lembra alguns jogos feitos por fãs, onde o pessoal muitas vezes faz um bom trabalho na parte visual (abuso do visual animê, por exemplo), mas a jogabilidade e mesmo a própria instalação são desestimulantes, de tão complexas, gerando um custo-benefício muito ruim.

    🙂 😀

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